Uma leitura sobre a ‘Imaginação Sociológica’ de Wright Mills

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Por Oldemburgo Neto

O sociólogo estadunidense Charles Wright Mills nos convida a refletir sobre o que ele chama de imaginação sociológica — título homônimo de seu livro publicado em 1959 pela Oxford University Press — tendo como baluartes deste conceito o desenvolvimento da razão e a lucidez na leitura e interpretação de dois importantes mundos: o individual e o coletivo. 

Urge à sociedade civil organizada, na visão do autor, uma compreensão dos fenômenos sociais que impactam a nossa vida cotidiana de maneira isolada ou sistemática, aliadas a uma capacidade de análise crítica sobre o nosso papel diante desses acontecimentos, na tentativa de construirmos possibilidades de (des)construções necessárias aos tempos de outrora, quando da publicação do livro, aos tempos de agora e aos tempos vindouros, dada a atualidade da temática.

Charles Wright Mills é o criador do conceito de imaginação sociológica

A imaginação sociológica, assim dita, promove uma acareação entre vida íntima e vida pública do homem médio, desnaturalizando falsas ou equivocadas consciências sobre suas posições sociais e fornecendo subsídios para um entendimento mais assertivo acerca dos resultados de suas ações ou omissões na vida em sociedade. Para Mills, o fato de existirmos na sociedade já é suficiente para que contribuamos para o curso da história, ao passo que estamos todos sujeitos a condicionamentos impostos por esta mesma sociedade, num movimento relacional perene entre as histórias do passado, do presente e do futuro. 

Nesse sentido, podemos inferir que a imaginação sociológica é uma espécie de eureka sobre nosso lugar e nosso papel no mundo, sendo muito importante destacar que a difusão desse despertar de consciência não deve ter caráter exclusivista, reduzindo-se a uma casta intelectual por onde flutuam jornalistas, professores, cientistas, artistas e afins, ainda que para estes grupos o processo seja menos hesitante, mais rápido, talvez mais natural por força dos próprios ofícios. É desejo também do homem médio fazer mergulhos mais profundos na história, na realidade social e política às quais estão vinculados por razões de proximidade ou mero interesse, mas não encontram na literatura de prateleira ou nos meios de comunicação de massa uma forma de travar contato com isso. “Desejam também valores que os orientem. E não os encontram facilmente na literatura de hoje. Não importa se essas qualidades deveriam ser encontradas ali, importa é que, com frequência, não o são”, aponta Mills. 

“Hoje, a principal tarefa intelectual e política do cientista social (pois aqui as duas coincidem) é deixar claros os elementos da inquietação e da indiferença contemporâneas”, escreveu o autor estadunidense, elencando as ciências sociais como denominador comum de nosso período cultural e a dita imaginação sociológica como qualidade intelectual mais urgente e necessária a todos nós, sem distinções. 

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