Entrevista com Xico Sá

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Por Oldemburgo Neto

De volta a Alagoas para palestrar no Teatro Deodoro sobre mídias tradicionais e os novos espaços de informação e comunicação, o jornalista e escritor Xico Sá concedeu entrevista exclusiva ao Balaio Cultural. Francisco Reginaldo de Sá Menezes, ou simplesmente Xico Sá, é autor de 13 livros, entre eles estão “O livro das mulheres extraordinárias” e “Big Jato”, este último tendo baseado o filme homônimo dirigido por Cláudio Assis. 

Fez parte da bancada do programa Cartão Verde (TV Cultura), ao lado de nomes como o do ex-jogador Sócrates. Também participou dos programas Saia Justa (GNT) e Amor e Sexo (TV Globo). Atualmente participa do programa Papo de Segunda (GNT) e assina coluna semanal no jornal El País.

Ao Balaio Cultural, o cearense do Cariri falou dos tempos de repórter no jornal Folha de São Paulo, quando fazia visitas frequentes a Maceió, refletiu o fazer jornalístico ao longo dos anos de estrada e, com o tom bem humorado e descontraído que lhe é característico, conversou também sobre suas paixões pela literatura, pelo cinema e pelo futebol.

Balaio Cultural: Bem-vindo de volta à terrinha. Estava com saudade de Maceió? Muitas memórias em Alagoas?

Xico Sá: Muitas recordações. Minhas principais histórias no jornalismo, que me levaram a algum lugar, todas aconteceram em Alagoas, em Maceió e no interior. No período do Collor presidente eu praticamente morava em Alagoas, então tenho uma ligação afetiva muito grande com esse lugar. Foi um período muito bom, tenho belas lembranças e esse tempo me trouxe muito êxito profissional, me deu muita projeção como repórter, como jornalista. Eu devo muito à cidade. Saudades da Pajuçara (risos).

Balaio Cultural: Como é voltar a Maceió para falar sobre sua carreira e sobre jornalismo no palco sagrado do Teatro Deodoro?

Xico Sá: Eu nem mereço o palco do Deodoro (risos). Já estive lá num show do Tom Zé, acho que nos anos 2000. Eu ia muito ao Teatro Deodoro. No evento Diálogos Contemporâneos eu faço um bate-papo, conto um pouco da minha trajetória no jornalismo, que vai desde a máquina de escrever ao twitter, às redes sociais de agora. Passei por todas essas guerras. Vou contar um pouco das minhas aventuras jornalísticas, dos sustos que eu tomei. A gente vai pro jogo e continua contando história (risos).

Balaio Cultural: O que representam as mídias alternativas e independentes na construção de uma contranarrativa jornalística necessária aos tempos de agora?

Xico Sá: Essa é a maior e a melhor das novidades. A gente não tinha muita alternativa. Fazia a faculdade de jornalismo e ia trabalhar num Jornal do Comércio, num Diário de Pernambuco, numa TV Globo, enfim, nos veículos da comunicação hegemônica, controlada por poucas famílias herdeiras. Numa ousadia tremenda ainda se fazia jornalismo alternativo com mimeógrafo. Minha geração não teve a chance de colocar esses coletivos e grupos jornalísticos de hoje em dia para ir pro embate, fazer essa contranarrativa com TV, com blog, site etc. Eu julgo isso como um grande ganho para a sociedade porque nossa historia é muito grande pra ser contada por meia dúzia de famílias do Brasil. Esse sopro que a mídia alternativa trouxe é uma bela história dentro desse cenário.

Balaio Cultural: Recentemente você foi convidado para escrever o prefácio de um livro sobre Graciliano Ramos. Conte-nos sobre essa obra. Que peso o Mestre Graça tem nos versos literários de Xico Sá?

Xico Sá: Eu só escrevo alguma coisa por conta do Graciliano (risos). É um livro maravilhoso de Sidney Wanderley e Júlia Cunha. A obra traz muita novidade sobre o Mestre Graça. Sidney tem a sorte de ser um cidadão de Viçosa e fez um grande mergulho literário, que deu um belo livro. Aprendi muito mais sobre o Graciliano. O livro fala muito do reflexo do lugar na obra do Graciliano, é um livro importante, um livro que acrescenta.

Balaio Cultural: Como foi ter sua obra Big Jato baseando o filme homônimo dirigido por Cláudio Assis? 

Xico Sá: Foi uma sorte grande. Claudio Assis é um compadre de velha data. Sou padrinho do filho dele. Em Big Jato nós resolvemos muitas histórias (risos). Eu também fiz o argumento do Febre do Rato, que inclusive é até um pouco autobiográfico, com a história de uma turma nossa, da geração marginal ou geração mimeógrafo, da turma da poesia do Recife.

Balaio Cultural: O que você tem produzido ultimamente no campo literário?

Xico Sá: Terminei um romance agora na pandemia. O título ainda é provisório, se chama A Falta, e está muito contaminado pelo que vimos na pandemia, pela coisa do isolamento, e nada melhor para ilustrar esse isolamento do que o personagem principal, que é um goleiro. Tem aquela do Belchior: “Estava mais angustiado que um goleiro na hora do gol…” (risos).

Já que você falou de goleiro, vamos falar de futebol. Tem acompanhado os clubes alagoanos?

Xico Sá: Sou um tarado por futebol. Sempre acompanho os clubes de Alagoas. Me vejo quarta-feira à noite em São Paulo assistindo a um jogo do Cruzeiro de Arapiraca, clube que revelou o Dida e que está se reerguendo. São coisas dessa facilidade das transmissões em larga escala.

Balaio Cultural: Para encerrar, nos deixe uma dica de livro, álbum, artista, banda ou filme…

Xico Sá: Boa. Tenho uma excelente dica. Eu até fiz o texto de apresentação. É o último álbum de Jorge Du Peixe. Ele gravou clássicos do Luiz Gonzaga. Com aquela voz de Tom Waits, cantando baião, ficou muito rico. Você encontra em qualquer bodega de streaming.

Balaio Cultural: Muito obrigado pela entrevista, Xico. Ficamos felizes por inaugurarmos a sessão de entrevistas do nosso Balaio com um entrevistado de sua categoria.

Xico Sá: Podem contar comigo. Agora você tem o meu contato. Abraços!

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