Somos dessa geração ou fazemos parte dessa geração?

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Após sair da casa dos meus pais levei alguns anos para me adaptar à vida sem mordomia, ter que ler as instruções nos saquinhos do arroz que diz o tempo em que ele deve ficar na panela. Comi muito arroz duro fingindo ser cult ou dizendo que ele estar “al dente”, frango sem gosto fingindo ser light.

Somos a verdadeira geração sedentária de corpo e mente, compartilhamos sem ler, defendemos causas sem conhecer, sabemos o que fazer, mas erramos por preguiça por não querermos ler o manual de instrução ou simplesmente não fazemos.

Pregamos por um mundo mais justo, uma política honesta, um planeta mais sustentável, uma vida saudável, menos sedentarismo mais atividades física.

Discutimos cada vez menos a política e exercitamos cada vez mais a politicagem nas redes sociais, lotamos a internet de selfies em academias e baladas, mas esquecemos de comentar que na última festa nossos amigos ficaram inconscientes após ingerir um grande número de drogas ilícitas.

Compartilhamos post de cervejas artesanais por ser a nova modinha, e bebemos mais e também incentivamos outros a beberem.

Essa geração faz discurso sobre poluição, conscientizam os outros sobre meio ambiente, dizem que andar de bike é uma alternativa contra a poluição, mas vão de carro para o trabalho, a academia, a praia e não compartilham desse meio com os outros.

Passam a semana lendo sobre obesidade, doenças cardíacas, artigos sobre os malefícios dos fast-foods, alguns vídeos bizarros de itens que são encontrados nos lanches, até história sobre minhocas em alguns lanches, mesmo assim nos entupimos desses lanches nos finais de semana, porque temos preguiça de comprar pão e preparar um sanduíche em casa. Essa é a geração que tem preguiça de tirar a margarina da geladeira, ligar a cafeteira ou fazer um suco.

Dispensada escrita à mão livre, optamos por digitar num pc usando a mesma tipografia da velha Olivetti, não reconhecemos mais nossas próprias letras. Somos a geração que erra sem se importar afinal é só apertar a tecla para apagar.

Nos foi dito que é possível viver apenas do que amamos fazer, que o sucesso é proveniente de ideia, não do suor.

Acompanhamos vídeo aulas sobre com ser bem sucedido, damos credibilidade aos amigos, aos ídolos, mas ignoramos os conselhos dos nossos pais que nos ensinaram a ajudar ao próximo e não fechar a janela do carro na cara de um mendigo acumulamos roupas que nunca usaremos ao invés de dar a quem realmente precisa.

Fazemos lindas e intermináveis dedicatórias para os amigos no dia de seus aniversários, mas não lembraria se não fosse à rede social. Esquecemos como é a voz do outro, não nos falamos mais por telefone, estamos mais longe de quem está perto.

Perdermos o costume de visitar aquele amigo da época de escola, do curso, do trabalho. Temos vergonha de dizer que estava com saudade.

Fazemos parte da geração que mostra uma felicidade exagerada no Instagram e acumula pageviews de site sobre frustações no amor, no trabalho, terapia de estresse, como otimizar o tempo, como evitar a procrastinação.

Fazemos parte da uma geração que iremos deixar de herança vários tutoriais, artigos, e manuais de instrução sobre como viver feliz, como ser feliz, o plano perfeito de vida, mas sem termos praticados nada disso porque estamos com fome, com preguiça e não sabíamos cozinhar nem o arroz nem o frango.

Somos da geração que temos vergonha de dizer que Somos Dessa Geração ao invés disso dizemos que Fazemos Parte Dessa Geração.

Por: Fabiana Santos

Imagem: Google

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Sobre o Autor

Sou a garota publicitária, pisciniana, apaixonada pela vida, que tem um gosto dilacerado por seriados que é viciada em café quente. Sobre experiência de vida? Tenho várias... Na falta de amigos já conversei com o espelho, já quis ser astronauta, atriz, escritora, médica e advogada. Já roubei beijos e já confundi sentimentos. Peguei atalhos para chega mais cedo e me perdi no caminho. Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de esquecer. Já chorei sentada atrás da porta do quarto, já fugi de casa pra sempre e voltei em poucos instantes, já fiquei sozinha na multidão. Já vi vários pôr-do-sol, mas sempre me deslumbro como se fosse o primeiro. Já senti medo do escuro, de fantasmas, das pessoas, já tremi de nervoso, já quase morri de amor, mas renasci novamente, já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar. Já chorei por ver amigos partindo e fiquei feliz quando novos amigos chegaram. São tantos momentos guardados em álbuns de fotografia, quase que esquecidos no fundo da gaveta.