Seria apenas amar se não fosse. Os Eu Quero ou os Eu mereço

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Todos nós merecemos alguém para dividir nossas alegrias e tristezas, alguém que possamos ligar numa madrugada qualquer, na sexta-feira à noite ou até mesmo num melancólico domingo, apenas para conversar, falar sobre algo novo ou velho mesmo.

Fazemos os relacionamentos serem tão complexos, ao invés de simplificá-lo. O ideal não seria apenas amar?  Seria, se não tivéssemos os Eu Quero ou os Eu mereço que nos impomos ao longo da vida… embora de fato, eu mereça alguém que seja muito mais do que eu imagino, alguém que na falta de assunto invente histórias, na falta de histórias ou assuntos que olhe nos meus olhos e que esse olhar seja o complemento da nossa conversa, mesmo que seja apenas por alguns segundos.

Alguém que queira dividir seus sonhos, seus planos e reserve um espaço no seu dia, seja o dia que for, apenas para dizer que teve uma grande ideia e que precisa compartilhar isso com você, tudo isso porque você é especial.

Alguém que ligue numa quarta-feira à tarde dizendo que está com saudades, com o pretexto para comer pipoca e assistir aquele filme que estão a meses na expectativa.

Alguém que aceite a indecisão na hora de escolher o lanche antes do cinema ou na hora de comprar aquela calça jeans que nunca cabe do jeito que queria. Alguém que leve para sair sem motivo, sem programação, que a felicidade possa ser brindada todos os dias, que as declarações do dia dos namorados sejam trocadas constantemente e não apenas na data comercial.

Alguém que compartilhe sonhos, projetos, viagens por mais difícil que seja conciliar horários ou férias. Alguém que fique do nos difíceis dias de insônia, alguém que acompanhe num delicioso cappuccino quente num final de uma tarde fria ou uma fatia de torta bem recheada após um dia amargo.

Alguém que divida seu projeto de vida, que esteja presente, que some e não suma, que vá a igreja nos domingo pela manhã, na terapia no sábado, ou até mesmo naquela sessão de meditação guiada, que diga que ama apenas olhando nos olhos sem palavras. Alguém que esteja presente sempre, que participe dos almoços de família ou do amigo secreto de final de ano.

Alguém que faça rir após um cansativo dia de trabalho, que acompanhe num delicioso banquete sem se preocupar com as proteínas ou carboidratos, alguém que acompanhe num delicioso sorvete de chocolate no meio da noite, enquanto o sono não aparece, alguém que fique e não se vá.

Alguém que saiba ver os pontos positivos nos momentos de dificuldade, alguém que seja verdadeiro primeiro consigo mesmo, que ame independente dos defeitos, que seja sincero.

Alguém que troque apenas um final de semana badalado por um final de semana tranquilo com vinhos, queijos e muito carinho que após assistir a um filme o dialogo seja mais importante.

Se for amar pela metade melhor não amar, se não tiver entrega verdadeira melhor não aparecer. Não precisamos de alguém raso, sem conteúdo, com meias conversas ou meias verdades. Precisamos de alguém que possa discutir sobre a crise do país, o dólar que não para de subir, que a cor da sorte é o verde segundo o horóscopo do dia, alguém que entenda que ler os textos de Gregório Duviviver é quase sagrado.

Enfim, mereço alguém que não se importe com o meu tempero ou minha impaciência para cozinhar, mas quando eu resolver fazer um jantar romântico aprecie e peça bis. Alguém que não se importe do meu pijama de bolinhas multicoloridas, nenhum um pouco sexy, alguém que me compreenda nos dias de TPM e não me faça perguntas nem exija respostas.

Mereço alguém que se importe de verdade comigo e deixe eu me importar também, que o sentimento seja reciproco e verdadeiro.

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Sobre o Autor

Sou a garota publicitária, pisciniana, apaixonada pela vida, que tem um gosto dilacerado por seriados que é viciada em café quente.
Sobre experiência de vida? Tenho várias…
Na falta de amigos já conversei com o espelho, já quis ser astronauta, atriz, escritora, médica e advogada. Já roubei beijos e já confundi sentimentos. Peguei atalhos para chega mais cedo e me perdi no caminho. Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de esquecer.
Já chorei sentada atrás da porta do quarto, já fugi de casa pra sempre e voltei em poucos instantes, já fiquei sozinha na multidão. Já vi vários pôr-do-sol, mas sempre me deslumbro como se fosse o primeiro.
Já senti medo do escuro, de fantasmas, das pessoas, já tremi de nervoso, já quase morri de amor, mas renasci novamente, já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar.
Já chorei por ver amigos partindo e fiquei feliz quando novos amigos chegaram. São tantos momentos guardados em álbuns de fotografia, quase que esquecidos no fundo da gaveta.