O Filme da Minha Vida | Crítica

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Adaptações literárias sempre carregam questões complicadas, como mudanças da trama, inserção de novos elementos e essa tarefa fica ainda mais difícil quando se trata de um livro poético. Esse é o caso de O Filme da Minha Vida, longa dirigido (e estrelado) por Selton Mello, que tem como base Um Pai de Cinema, escrito por Antonio Skármeta.

Situado na década de 60 na Serra Gaúcha, o filme acompanha Tony (Johnny Massaro), filho de um francês e uma brasileira, que vai estudar na capital e pensa ter a vida perfeita. Mas isso muda quando ele volta para sua cidadezinha e vê seu pai (Vincent Cassel) ir embora para a França sem nenhuma explicação.

Assim como no livro, grande parte do filme é dedicada à tristeza do jovem e de sua mãe após a partida do patriarca. Porém, enquanto a melancolia demonstrada por Ondina Clais no papel de Sofia é mais implícita, Tony passa dias e dias se lamentando, escrevendo cartas e tentando entender o que aconteceu. Embora seja um comportamento compreensível, o filme fica um pouco arrastado nessa parte, com cenas que parecem dar voltas sem chegar em lugar nenhum.

Em certo momento, porém, Tony decide deixar o “luto” pelo pai e se dedicar a outras coisas em sua vida pacata: paqueras, cinema, viagens. Aqui o filme ganha, ficando mais fluido e dá espaço para Johnny Massaro crescer no personagem, que ainda mantém um ar triste, mas consegue tomar suas próprias decisões e mostrar sua personalidade interagindo com outras pessoas.

Vale ressaltar o belíssimo visual, que dá orgulho da fotografia do cinema brasileiro, e a trilha sonora, que some em momentos mais tristes, mas aparece de forma marcante quando necessário.

Fonte: Omelete

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