Mad Max: Da testosterona à luta feminina pela liberdade

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Confesso que fiquei ansiosa para assistir Estrada da Fúria, lembro-me bem de cada cena do filme Mad Max e a cúpula do trovão interpretado por Mel Gibson e Tina Turner, sucesso na década de 80, que arrecadou cerca de US$100 milhões em todo o mundo. Gostei tanto que assistir Mad Max Estrada da Fúria, três vezes em duas semanas. Passaram-se 30 anos e George Miller renasce com Mad Max, interpretado por Tom Hardy, dessa vez o filme mostra um pouco mais de agressividade e violência.

O filme Mad Max se passa num período pós-apocalíptico, comandada pelo Immortal Joe, no momento em que a humanidade está em colapso, com a falta de recurso básico para a sobrevivência. Nesse mundo de guerra e sangue apenas dois líderes serão capazes de restaurar a ordem. Max, um prisioneiro forte, determinado que vive assombrado pelo passado, a perda da família. E furiosa, uma mulher que foi roubada quando criança e sonha com uma vida diferente na sua terra natal, seu principal objetivo é redenção.

Max ganhou uma companheira de guerra, que luta de igual para igual, a Imperatriz Furiosa, interpretada por Charlize Theron, que toma conta de todas as cenas, desde os diálogos até cenas de luta.

O filme deixa de ser apenas uma explosão de testosterona, lembrando a sequencia de “velozes e furiosos”, e dá lugar a história da menina mulher, que deixa de lado a fragilidade feminina em busca de liberdade, deixando bem claro: “chutarei quantos traseiros forem necessários para chegar aonde preciso”.

Mad Max é perfeito para quem está em busca de ação, explosões e adrenalina, pois são intensos 120 minutos de pura emoção, com carros turbinados, mortes de todas as formas e perseguição do inicio ao fim.

Para quem não assistiu aos filmes anteriores de Mad Max, não sentirá faltar de nenhuma informação. No decorrer do filme são passado os flashbacks da vida de max, assombrado pela perda da família, onde todo esse período predominam dois pensamentos: manter-se vivo e o desejo de vingança.

Max teve todas as suas lembranças apagadas pelo Immortal Joe o “líder” que comanda uma população de doentes, e as mulheres férteis são escravizadas para alimentar seu exército com leite materno.  Joe tem uma péssima gestão de liderança, uma figura completamente doente fisicamente devido ao ambiente tóxico. Sua equipe é composta por dois filhos um desmiolado (Rictus Erektus) e outro com deficiências físicas (Corpus Colus), porém muito inteligente tornando-se o cérebro de toda operação. Tem o chefe financeiro (canibal) e o chefe das provisões que se auto intitula a balança da justiça, resumindo uma equipe de doidos que tirando tudo isso não sobra nada do Immortal Joe.

No primeiro filme a mulher de Max é apresentada como a mulher frágil, que não consegue lutar pela sobrevivência. Nessa triologia, o diretor passou exatamente o retrato da mulher do século XXI, lutadora, brava, que saber dizer não a qualquer tipo de violência, capaz de lutar pelos seus direitos.

Mad Max a estrada da fúria não se resume apenas a cenas de luta, é possível notar uma visão hollywoodiana que há muito tempo não vemos nas telas. Poderia ser apenas mais um filme cinematográfico em que as mulheres sofrem maus tratos como prisioneiras, e Max seria o responsável pela liberdade delas lutando para salva-las, mas não, o diretor (George Miller)nos presenteia com cenas de mulheres guerreiras, mesmo grávidas, lutando fervorosamente pela liberdade com um grito de NÃO ao abuso.

Duas lições podem ser extraídas de Mad Max a estrada da fúria, a união de um povo oprimido que percebem no meio do deserto que juntos podem derrubar um reino opressor se estiverem em busca do mesmo objetivo. E, outra lição é o poder da mulher que deixa de lado todos os seus medos, dúvidas e incertezas em busca de apenas um ideal, liberdade.

Por: Fabiana Santos

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Sobre o Autor

Sou a garota publicitária, pisciniana, apaixonada pela vida, que tem um gosto dilacerado por seriados que é viciada em café quente. Sobre experiência de vida? Tenho várias... Na falta de amigos já conversei com o espelho, já quis ser astronauta, atriz, escritora, médica e advogada. Já roubei beijos e já confundi sentimentos. Peguei atalhos para chega mais cedo e me perdi no caminho. Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de esquecer. Já chorei sentada atrás da porta do quarto, já fugi de casa pra sempre e voltei em poucos instantes, já fiquei sozinha na multidão. Já vi vários pôr-do-sol, mas sempre me deslumbro como se fosse o primeiro. Já senti medo do escuro, de fantasmas, das pessoas, já tremi de nervoso, já quase morri de amor, mas renasci novamente, já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar. Já chorei por ver amigos partindo e fiquei feliz quando novos amigos chegaram. São tantos momentos guardados em álbuns de fotografia, quase que esquecidos no fundo da gaveta.