Filme 50 Tons de Cinza (preto) efêmero e obscuro

0

Filme 50 Tons de Cinza (preto) efêmero e obscuro após assistir 3 vezes o filme 50 Tons de Cinza, cheguei a uma visão do filme que não vi comentários, então achei interessante falar sobre isso na minha coluna de hoje.

Classifiquei 50 Tons de Cinza, como um jogo de sedução efêmero e obscuro.

Vivemos numa sociedade que a palavra amor tem sido distorcida em todos os quesitos, sendo utilizada de qualquer forma sem nenhum critério. É evidente que existe uma confusão desse tipo de sentimento tanto por parte das mulheres quanto dos homens mais experientes e jovens. Os amantes denominam o sentimento como: primeiro que é difícil achá-lo, conquistá-lo todos os dias e por fim mantê-lo.

Assistir ao filme 50 Tons é pedir para sofrer, de forma inconsciente, mas vai. A nossa cultura ainda esta além dos “ensinamentos” pregados pelo filme, que nos é apresentado de forma doce, sutil e romântica.
Cinquenta Tons de Cinza foi lançado justamente no Dia dos Namorados, logo é um romance, mentira. Isso é o que a mídia quer que você pense. O filme nada mais é que uma relação doentia e possessiva, seguida de abuso físico e psicológico capaz de mexer profundamente com o emocional de qualquer pessoa. O filme utiliza artifícios para ganhar a admiração dos telespectadores como atores lindos e glamourosos , a exibição de uma série de carros luxuosos e transportes aéreos sempre à disposição.

Entre um morder de lábios e um olhar sedutor, nosso subconsciente começa a aceitar aquele tipo de relação como normal e admirá-los como exemplo de perfeição, ahhh! Como eu queria alguém assim na minha vida, Christian e Ana fazem um belo casal.

Não acredito na teoria da conspiração que Hollywood apenas produz esse tipo de filme para ganhar dinheiro, existe sim alguém que não se preocupa como o público vai receber essa mensagem e  se vai tentar replicar com seu parceiro, ou como a sociedade vai saber lidar com essas informações e como os atores vão lidar com essa situação, são profissionais, concordo, mas também são humanos cheios de falhas e movidos por sentimentos e desejos.

Em alguns pontos entendo Christian, existem fatos importantes que não foram levados em consideração. O que leva um rapaz jovem, bonito, bilionário a ter um tipo de vida sem querer a experimentar o verdadeiro amor? Fica claro no filme que Christian sofreu na infância ao passar por fome, frio e sua mãe biológica ser viciada em crack, possivelmente apanhava e era abusado, aos 4 anos de idade é adotado por uma família e mais uma vez é abusado sexualmente no período da adolescência, ou seja, esse ser humano não conheceu a verdadeira essência do amor e dos seus benefícios, ele apenas oferece à sociedade tudo aquilo que lhe foi oferecido.

É notório perceber como ele confunde dor com prazer, e por ser um rosto bonitinho às mulheres se encantam pela beleza física e financeira e esquecem outros aspectos que fazem parte de uma relação saudável.

Quanto a Anastásia ela é apenas uma doce menina, ingênua, estudante de literatura inglesa que se encanta pelo olhar sedutor de Christian e pela forma como ele a protege, e das frases pronta: “Você foi a primeira a vir aqui, você foi a primeira a dormir na minha cama…”. Sem perceber ela já não tem mais decisão própria sem que ele precise autorizar.

A grande esperança do público é o viveram felizes para sempre, que ele conheça o mundo dela, cercado de flores e romantismo, deixando de lado essa vida de dominador e submissa e assuma uma relação tradicional de idas ao cinema, jantares e outros.

No mundo real, Christian já teria sido enquadrado pela Lei Maria da Penha e Anastásia ficaria viciada em remédios antidepressivos ou ela poderia passar o resto da vida apanhando dele.

Por: Fabiana Santos

Compartilhe.

Sobre o Autor

Sou a garota publicitária, pisciniana, apaixonada pela vida, que tem um gosto dilacerado por seriados que é viciada em café quente. Sobre experiência de vida? Tenho várias... Na falta de amigos já conversei com o espelho, já quis ser astronauta, atriz, escritora, médica e advogada. Já roubei beijos e já confundi sentimentos. Peguei atalhos para chega mais cedo e me perdi no caminho. Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais difíceis de esquecer. Já chorei sentada atrás da porta do quarto, já fugi de casa pra sempre e voltei em poucos instantes, já fiquei sozinha na multidão. Já vi vários pôr-do-sol, mas sempre me deslumbro como se fosse o primeiro. Já senti medo do escuro, de fantasmas, das pessoas, já tremi de nervoso, já quase morri de amor, mas renasci novamente, já acordei no meio da noite e fiquei com medo de levantar. Já chorei por ver amigos partindo e fiquei feliz quando novos amigos chegaram. São tantos momentos guardados em álbuns de fotografia, quase que esquecidos no fundo da gaveta.