Descongestionante está no ranking de medicamentos com efeitos colaterais

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O descongestionante nasal ocupa o terceiro lugar na lista de problemas causados por efeitos colaterais e uso incorreto de remédios, segundo o Centro de Assistência Toxicológica (Ceatox) do Hospital das Clínicas de São Paulo. Ele só perde para os anti-inflamatórios e os analgésicos. Seu uso indiscriminado causa dependência e, com o tempo, pode levar a alterações cardíacas, elevação da pressão arterial e, até mesmo, impotência.

“Este tipo de medicamente não cura, pelo contrário, vicia o nariz. As gotinhas trazem uma falsa sensação de alívio, pois trata-se de uma substância vasoconstritora”, explica a otorrinolaringologista Clarice Saba, Vice-Presidente da Sociedade de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Bahia e Membro da OMB – Ordem dos Médicos do Brasil.

O vício em descongestionante acontece justamente por essa razão: por ser vasoconstritor, os vasos se contraem, diminuindo a quantidade de sangue da região, e a mucosa nasal “murcha”. “Com isso, a pessoa fica com mais espaço para respirar. Ela tira o edema, mas altera também a função nasal. O paciente acha que está respirando bem quando, na verdade, o nariz não está fazendo a função dele de filtrar, aquecer e esfriar o ar”, esclarece.

A falsa sensação de alívio traz também efeito rebote. Com o uso indiscriminado da substância, o nariz não desempenha bem sua função e, com isso, o cérebro age mandando cada vez mais sangue para a região, o que faz com que o órgão olfativo fique entupido com maior frequência. “O aumento do uso das gotas nasais está longe de ser o tratamento adequado. É necessário procurar o médico otorrinolaringologista para se fazer o diagnóstico da causa do nariz entupido e, assim, fazer o tratamento correto”, pontua a especialista.

Entre os que costumam fazer uso dessas gotinhas, estão os portadores de rinite alérgica, pois o descongestionante alivia os principais sintomas da doença, como, por exemplo, a obstrução nasal. “Caso a rinite não seja tratada corretamente, ela pode evoluir para a rinossinusite inflamatória e infecciosa. A alergia é uma doença de caráter familiar, que pode não ter cura, mas tem controle. O tratamento adequado dará qualidade de vida ao paciente”, conclui.

A médica Clarice Saba é otorrinolaringologista, vencedora do X Jack Vernon Award (o prêmio científico internacional mais importante da área de zumbido), Diretora Técnica do Centro de Otorrinolaringologia da Bahia (CEOB), Vice-Presidente da Sociedade de Otorrinolaringologia e Cirurgia de Cabeça e Pescoço da Bahia, Delegada da Sociedade Brasileira de Otologia, Preceptora da Residência Médica em Otorrinolaringologia da Santa Casa de Misericórdia da Bahia – Hospital Santa Izabel, Fellow em otorrinolaringologia no Jackson Memorial Hospital (USA) e no Groningen Ziekenhuis (Holanda), idealizadora e coordenadora do Programa de Apoio a Pacientes com Hiperacusia e Zumbido (PAHZ), do Ambulatório de Zumbido da Escola Bahiana de Medicina e Saúde Pública e do EMPAZH (Encontro Mensal com Pacientes Portadores de Zumbido e Hiperacusia).

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